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31 de Maio de 2020
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    Os Absurdos Privilégios de "autoridades" presas.

    Publicado por Marcelo Rodrigues
    há 2 anos

    Muito se elogiou na imprensa a atitude de Moro de ter dado prazo para apresentação voluntária de Lula e a preparação de local especial para que ele cumpra sua pena em razão da “dignidade do cargo que ocupou”, poucos manifestaram inconformismo com mais esta aberração brasileira.

    Explico, é exatamente em razão do desprezo à dignidade do cargo que ocupou ao se aproveitar dele para cometer crimes de corrupção e lavagem de dinheiro público que caberia rigor ainda maior no cumprimento do mandado de prisão e da pena, com prisão imediata à expedição do mandado e encarceramento em circunstâncias tão severas quanto a daquelas em que ficam presas as pessoas “comuns”.

    Se Lula não honrou a tal “dignidade do cargo de presidente da república” fazendo o que fez, porque a aplicação da lei pela Justiça deveria? Onde estão os fundamentos legais autorizadores do tratamento excepcional deferido?

    As autoridades públicas no Brasil, além de receber bons salários, vivem cercadas de poderes e privilégios que nenhum outro cidadão brasileiro possui e é exatamente em razão destes mesmos poderes e privilégios que, quando resta comprovado que não se portam com a retidão e honestidade que a “dignidade” do cargo ocupado exige, devem ter sua situação penal agravada e não amenizada como está ocorrendo com Lula e tantos outros políticos que já estão presos.

    Ao contrário do que aconteceria com qualquer brasileiro que nunca teve o poder, as regalias, o prestígio e a confiança de boa parte da nação na forma de votos, Lula pode escolher onde, como e quando o mandado de prisão seria cumprido, como deveria ser a viatura que o conduziria (sem adesivos da polícia), não foi para presídio, está em uma confortável suíte individual sem grades, terá regime “especial” de visitas, tv, não terá a cabeça raspada nem se sujeitará à identificação criminal com aquela tradicional foto.

    Se Lula e outros políticos não serviram como bom exemplo no exercício de seus cargos públicos, agora eles e a Justiça estão servindo como mau exemplo de aplicação diferenciada da lei penal e de execução das penas graças à mentalidade retrógrada e antirrepublicana de que autoridades e ex-autoridades merecem tratamento especial, até mesmo quando comprovadamente delinquem.

    1 Comentário

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    Muito correto. Se enquanto ocupante de cargo público não fez questão de fazer deferência à sociedade que ele supostamente representava, não há motivo para agora provada sua delinquência, a sociedade tenha que tratá-lo com regalias negadas aos delinquentes comuns. continuar lendo